quarta-feira, 29 de agosto de 2018

FELICIDADE QUE NÃO CABE EM MIM!

Vocês conhecem a expressão “Felicidade que não cabe em mim”? Isso me resume hoje. Fui fazer uma das coisas que sempre quis, mas não tive oportunidade antes. Ontem, minha filha me proporcionou fazer o tour pela Toca 3. Estou extasiada, anestesiada, arrepiada, encantada... Começamos pelo Museu do Futebol. Puxa, quantas vezes marquei com minha amiga Giulia para ir lá e acabamos enrolando. Para quem ainda não conhece, não percam a oportunidade, por favor! Muitas histórias, das quais não temos conhecimento, estão lá, para que todos saibam. Histórias da construção do Gigante, fotos de partidas memoráveis. Ah, vão lá conhecer, por favorzinho!!!! Os pés do Príncipe Dirceu Lopes, do Tostão, do Piazza, do Ronaldo, do Alex Talento, do Sorin, as mãos do Raul, do “PQP, é o melhor goleiro do Brasil, Fábio”! Ah, gente, façam um favor a vocês, vão lá conhecer o Museu. Juro que vale muito à pena.
Entrar no acesso aos vestiários já foi aquela emoção. Até fiz gol na sala de aquecimento. Sim, eu consegui, hahaha. Foi muito legal conhecer os ambientes por onde os jogadores e treinadores passam. Teve gracinhas na sala de imprensa, um rapaz, que eu nunca vi na vida, sentou-se na mesa, brinquei de entrevistá-lo, chamei-o de Mano Menezes e perguntei como o time se portaria no jogo contra o Flamengo. Ele, muito engraçado, entrou na brincadeira e respondeu: todos os onze ficarão no campo de defesa, quem passar do meio campo, estará fora do próximo jogo! Meu esquema amanhã será 11-0-0. Muitas gargalhadas. De lá, fomos para o lugar que mais me causou emoção, a zona mista. Aquele lugar, pelo qual os times acessam o campo. E aquelas frases célebres dos grandes narradores, gravadas nas paredes... Olho no lance! Ah, Sílvio Luiz, essa sua frase prendeu minha atenção, mais do que as outras. Eu ouvia você, criança, narrando os jogos pelo rádio, quase nunca jogos do Cruzeiro, mas as lembranças me levaram à minha infância.
A lembrança da minha primeira vez no Mineirão, no dia 01/05/1994, num clássico, no qual Ronaldo marcou 3 vezes. Fui com meus amigos de João Monlevade, ficamos onde hoje seria a divisa entre os setores amarelo e roxo. Parecia que eu havia voltado no tempo, que não houve reforma, que o Mineirão ainda era aquele com estacionamento onde hoje é a esplanada.  Eu já estava grávida da minha filha mais velha, que nasceu em dezembro de 1994. Tão sangue azul quanto eu!

Quando o Lucas, o guia, nos informou que iríamos para a melhor parte do tour, o acesso ao campo, achei que não ia aguentar. Meu Deus!  Subi aquelas escadas pensando (e sentindo) a emoção de cada jogador, tentando imaginar o que se passa na cabeça deles, quando entram em campo. Gente, que sensação! Pisar no gramado, sentar no banco de reservas, ficar no espaço onde os jogadores ficam se aquecendo, durante o jogo. Ai, meu coração. Só conseguia pensar, naquele gigante que estava vazio, apenas com os visitantes, mas cheio de lembranças. Lembranças como o dia que o Cruzeiro foi Campeão Brasileiro de 2003, vencendo por 2X1 o jogo contra o Paysandu, no dia 30/11/2003. Eu estava na PUC São Gabriel, fazendo prova para o Vestibular da UFMG, tão ansiosa para saber o resultado, que entreguei a prova correndo, para ir pra casa. Eu tinha um celular da Nokia, o 3310 (era top), liguei o rádio para ouvir o jogo. Já estava 2X0 para nós, gols de Zinho e Mota, sendo que no final, o Paysandu fez o gol de honra. E daí? Eu já era bicampeã brasileira! Gente, nosso time era o melhor do Brasil! Em agosto de 2003, nasceu meu filho caçula. O pequeno já nasceu campeão mineiro e da Copa do Brasil. Agora, se tornava o único, e o é até hoje, a ganhar os três campeonatos nacionais: o estadual, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, a tão sonhada, pelos outros times, Tríplice Coroa! Que Cruzeiro, meus amigos! Cruzeiro do Alex, do Aristizábal, do Gomes, do Wanderley Luxemburgo! Eu não me aguentava de felicidade.
Mas uma outra lembrança, mais recente, voltou com tudo! Aquela partida de 27/09/2017. Cheguei à Toca 3 às 19h. Que clima! Eu me senti naquele dia, ouvindo aquele barulho ensurdecedor que as torcidas faziam. Jogo nervoso, truncado. O Cruzeiro perdeu muitas chances de matar o jogo, mas não o fez. E a torcida empurrava. A Nação Celeste gritava de um lado, a torcida rubro-negra respondia do outro. Muitas provocações, típicas de grandes clássicos, grandes jogos. Fim do jogo, placar de 0X0. Fomos para os pênaltis. Pelo Cruzeiro marcaram Henrique, Léo, Hudson, Diogo Barbosa e Thiago Neves. Já pelo lado do Flamengo, marcaram Guerrero, Juan e Trauco. O goleiro flamenguista, Muralha, caiu, nas cinco cobranças, para o mesmo lado. Fábio, nosso goleiraço, pegou a cobrança do Diego Ribas. PENTA CAMPEÃO! PENTA CAMPEÃO! PENTA CAMPEÃO! Nunca, na minha vida, abracei tantas pessoas desconhecidas! Eu sei que foi o primeiro, de muitos, que ainda comemorarei lá!
Me lembrei também da final do Campeonato Mineiro. Deu a lógica! Mas eu estava lá também, apesar do placar adverso, no jogo de 01/04/2018 (isso mesmo, dia da mentira). Na semana que antecedeu ao primeiro jogo da final, TN30 foi à imprensa e disse “vamos passar por cima”. Resultado: fim do primeiro tempo, 3X0 para eles. No final do jogo, Arrascaeta diminui para o Cruzeiro. A imprensa zebrada vibrou! Agora, a vantagem era do lado de lá. No dia 04/04, tivemos mais um péssimo jogo, dessa vez pela Libertadores, contra o Vasco. Ainda tivemos de ouvir: “vice do galo”.  Chegou o dia da final! Fui para o Mineirão psicologicamente preparada para perder o campeonato, mas meu sangue azul tinha certeza da virada. Nós temos o Arrascaeta, o terror dos adversários nos clássicos, que abriu o placar logo no início do primeiro tempo. Faltava mais um. O desentendimento que havia começado no primeiro jogo, entre Edilson e Otero, culminou em uma falta no nosso lateral, que causou a expulsão do jogador do outro time. Os dois times fizeram um final de primeiro tempo mais morno. No segundo tempo, Thiago Neves, sempre decisivo, amplia para o Cruzeiro, aos 7 minutos.  O adversário passou a ter mais posse de bola, mas pouco criava, pois havia perdido seu melhor jogador no primeiro tempo. Fim de jogo! Minha segunda comemoração de título no Gigante, em menos de 7 meses. Como eu queria ter conhecido o Mineirão antes! Como eu gostaria de ter comemorado outros títulos lá! Mas eu morava no interior até 1993 e, raramente, vinha a BH.
Já passei por grandes emoções na minha vida, mas durante uma hora ontem, passou um filme na minha cabeça. Sabe aquela sensação de que você está sonhando? É essa que senti, durante o tempo da visita. Queria que o tempo parasse, que o relógio demorasse mais tempo para marcar os segundos, só para curtir mais um pouquinho. Ao mesmo tempo, queria que passasse rápido, para ver a multidão azul colorindo as ruas, a esplanada, os nossos guerreiros em campo correndo por nós, nos levando mais à frente, rumo ao Tri da Libertadores.
Agora, a menos de 9 horas do início do confronto, a vontade de chegar no Mineirão já está tão grande, que, se pudesse, estaria lá. Sei que, ao chegar nas imediações da Toca 3, meu coração vai bater diferente. Não pela ansiedade, que está grande também, mas pela sensação de intimidade, de familiaridade, que essa visita me proporcionou.


As visitas ao Estádio Mineirão são abertas a todos os interessados.
Maiores informações no site: http://estadiomineirao.com.br/museu-e-visita/
Funcionamento:
Terça-feira, de 9h às 20h, com permanência até as 21h;
Quarta a sexta-feira, de 9h às 17h, com permanência até as 18h;
Sábados e domingos, de 9h às 13h, com permanência até as 14h
Horário sujeito a alteração devido a jogos e eventos no estádio.

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